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o fariseu

Pé do meu Samba

27.11.15

 

 

brasil.

o pleno contra senso, terra onde a beleza e o horror dormem e acordam no mesmo leito.

onde a musica soa como em nenhuma parte do mundo, em que a bossa solta notas de alegria com a mesma velocidade que planta lágrimas.

onde o clima segue o diapasão de toda a restante orquestra, intervalando calores africanos com chuvadas coloquiais.

é o branco e negro. o riso e o choro. o doce e o salgado. o melhor e o pior.

a promessa adiada, o sonho americano dobrado, o maravilhoso mundo do faz de conta.

o melhor país do mundo dentro do pior.

o amor e o ódio.

difícil odiar por ser tão fácil de amar.

a vigarice e a honestidade dentro do mesmo ser.

a fome e abundância.

os finais de tarde na lagoa e os tiros no morro.

nelson rodrigues, vinicius, drummond, o brasil das pessoas.

o brasil do humor, da risada fácil, do positivo,

da voz da rua, da entreajuda popular por detrás da miséria,

das peruas a cair de maduras que vagueiam pelas BR´s.

um pais que nasce todos os dias com vontade de se reinventar,

o criminoso  que se enterra nas areias do turismo.

crediários para comprar o ultimo modelo,

onde as ninfas vivem como jamais foram pintadas.

do som da roda de samba em qualquer boteco,

do choppe a escorrer entre deliciosa conversa.

de joão gilberto, chico, caetano,

do malandro carioca tirando vantagem,

do paulista metido á besta,

de todo um pais ligado pelo sentir brasileiro,

de todo mundo e lugar nenhum.

lindo e horrível.

emigrantes em terra própria. estrangeiros em casa.

o brasil do choro e do sorriso, tormenta de emoções

o beijo, o olhar, o sentir,

o brasil não merece o brasil.