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o fariseu

Os mamutes

28.11.15

É que é mesmo isso. Uma tristeza que invade.

Uma tristeza pesada, sonolenta, silenciosa.

Pelas tardes que vemos passar, pela impotência reflectida na areia do tempo, pelo mundo a escorrer numa ampulheta barata suja de gordura.

Por não conseguirmos explicar o que nos mantem reféns deste carcel cinzento, além de todas as razões lógicas. Por sabermos que no fundo estamos apenas a ceder ás grilhetas sufocantes do medo. E é esse medo que ao aprisionar o futuro nos salga a terra dos sonhos. Que nos deixa apenas o respirar votado aos condenados, a tristeza dos remediados em terra alheia.

Porque fomos educados a pensar assim.

A seguir a doutrina lógica e racional que nos impele dos bancos da escola para as cadeiras almofadadas dos cemitérios de zombies onde todos os dias morremos um bocadinho. Tão certo como um enfarte, vamos caminhando no batente por forma a satisfazer  a rétorica que bebemos ao longo dos anos.

O ar fica rarefeito e a pressão no peito confirma os mamutes. Os mesmo que nos desviamos todos os dias pela rua e que se deitam connosco sem pedir licença.

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