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o fariseu

Grinalda

28.11.15

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Ela lá ia acedendo. Sonhou vezes sem contas com o vestido, o véu, a grinalda, que importância tinham duas ou três letras afinal? Caminhar pausadamente até ao altar de mão dada com o pai, os parentes reunidos admirando as rendas, os fios, as sedas. E o copo-de-água? Que coisa mais linda!

- E os teus parentes? Certamente não esperas convidar a saloiada toda da aldeia!

E ela encolhia os ombros, justificava que afinal eram a única familia que tinha. Tirando três ou quatros amigas de faculdade, pouco sobraria para compor os bancos da igreja. Dispôs-se a pedir decoro e maneiras aos aldeões, prometendo que os boçais saberiam comportar-se.

Só anos mais tarde soube dele. Vi-o  numa fotografia no jornal, numa reportagem sobre o aumento da prostituição em Espanha.  Chamava-se agora Lolla e queixava-se das cargas policiais indiscriminadas e do preconceito.

Ela casou-se com um advogado chamado Fernando e vivem nos Olivais.