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o fariseu

...

28.11.15

O Senhor Paulo da Hospedaria não quer aceitar o pagamento. Diz que temos tempo para tratar das contas. No Café Machado ali junto ao largo central, dizem-me para pagar a despesa amanhã.
O multibanco, o único, está junto ao posto da guarda, lá mais para cima. A lonjura de 300 metros não justifica a estas horas. Temos tempo.
Não tenho Senhor Paulo.
Mas queria ter.

Houve um dia que aterrei não sei de onde, apanhei um comboio e rumei a sul. Fachadas cruas, muros pintados e janelas cheias de gente lá dentro, mesas postas de batatas e saladas, hortas de couves a trepar rua acima.
Toalhas usadas de gerações, caras cravadas de invernos, rugas e calos de trabalho. Estoicidade funda nos olhares, mãos dadas com os seus, porta aberta para o vizinho.

Na desordem de portas e parapeitos a voarem no reflexo do vidro, senti a harmonia que jamais encontrei em paises arranjadinhos, limpinhos, chatinhos.
Percebi que era eu sentado em qualquer uma daquelas mesas, pois não poderia ter nascido nenhum outro lugar do mundo.

 

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